Ainda sobre você

Eu não sei como, só sei que te gravei. Eu te gravei desde as nossas duas últimas vezes. Algo me diz que a gente se viu mais vezes que isso, mas as duas últimas vezes eu tenho gravado detalhadamente na memória e acho que é por isso que tudo isso aqui ainda é sobre você e sobre o quanto eu gosto daquela ideia do bourbon, eu ainda gosto da ideia do bourbon…

Da penúltima vez a memória é do carro. A memória é aquela da despedida no carro. Ela é cinza e acho que é dessa cor, porque fazia frio e meu cabelo tava molhado. Você tinha cara de sono e voz rouca. O caminho foi rápido, tranquilo. Quase não tem carros às 6h00. Você disse pra eu tomar cuidado e eu disse que essa era a coisa que eu mais tomava depois de vinho. Você deu uma risadinha de canto de boca e pegou na minha mão. Algo me dizia que aquilo era uma despedida. Algo muito forte me dizia que você desapareceria, assim como desaparece a memória a partir desse ponto. Foi o que aconteceu. Ainda é sobre você e como tudo desmorona na história, a partir do momento que você surge. Amores arrebatadores de uma noite só. Amores arrebatadores de uma noite só e como eles sempre acabam mal.

Eu não sei como, só sei que te gravei e tudo o que eu mais queria agora era te apagar.

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